E entrei oficialmente na "bebélândia" (será que o acordo ortográfico permite dupla acentuação nas palavras??!) , sítio de onde já só devo sair daqui a sete semanas, mais duas, menos duas.
Estamos a preparar-nos para a recta final desta nova aventura. Mesmo à terceira continua a ser novidade e continua a ser aventura. Aqui dentro desta bola imensa que me desorienta o centro de gravidade não está o Afonso nem a Francisca. Está o António. E ele para mim já é tão presente como os irmãos, apesar de ter este aspecto de melancia gigante do Entroncamento. Todos os dias quando deixo a Francisca no colégio ela despede-se do António com um beijinho e uma festinha na barriga. À noite o mesmo.
Ao mesmo tempo dá sinais de saber que está prestes a deixar de ser a bebé da casa e a passar o testemunho. Quer mais colo, faz mais birras. Pediu-me para voltar a dormir a sesta na escola e está a comer muito mal.
O Afonso também anda mais rebelde. Acho que não tem nada a ver com o António, mas sim com as mudanças todas que temos feito. O país, a língua, as escolas. Às vezes revolta-se e fica tão transtornado que quase não o redonhecemos. Diz que quer trocar de família e às vezes ameaça sair de casa, só para nos ouvir dizer que ele faz aqui muita falta e que não seríamos felizes sem ele. Depois passa-lhe e fica muito triste com ele mesmo por ter dito as coisas, pede muitas desculpas e diz que era incapaz de fazer as coisas que disse.
Toda a gente diz as crianças se adaptam a tudo, que para eles é muito fácil. Não me parece nada assim. Eu como adulta tenho argumentos lógicos para justificar estas mudanças todas. Para eles não é bem assim. Por mais que lhes expliquemos com a nossa racionalidade típica os motivos de tão grandes mudanças, às vezes eles não os compreendem nem aceitam. Para eles é muito difícil. É tudo diferente dos hábitos e rotinas a que estavam acostumados. Para nós a adaptação é mais fácil porque conseguimos gerir melhor estas emoções todas e fazemos um esforço (às vezes também bastante grande) para as aceitar e tirar o máximo partido desta experiência. Para eles, por mais que os tentemos convencer que no futuro esta fase lhes vai trazer muitas recordações e provavelmente uma abertura cultural muito grande, é sempre difícil aceitar tudo isto sem quebrar e sem desanimar.
a horta já tem direito a etiqueta e tudo
futebol mas só porque estamos em alturas