No outro dia estava na fila para a caixa da Mothercare e uma mulher coberta da cabeça aos pés que estava atrás de mim meteu conversa comigo. Queria saber se eu alguma vez tinha utilizado umas toalhitas que trazia na mão e o que achava delas. Lá lhe disse que não, porque a Francisca desde cedo tinha manifestado intolerência às toalhitas. Ela continuou a conversar comigo de uma maneira perfeitamente normal. Sobre os filhos mais velhos,sobre esta bebé que tinha 5 dias de vida, sobre as escolas no Bahrain e uma série de outras banalidades, tudo de uma forma super simpática e descontraída.
Acontece que eu não sei se consegui disfarçar o desconforto por estar a conversar com uma pessoa sem ver a cara dela. Foi muito estranho. Por mais que pense que já estou habituada a vê-las assim e a respeitar as suas opções (e acreditem que muitas se vestem assim por opção e não por imposição), a sensação de estar a conversar com uma pessoa a quem não conseguimos ver a cara, expressões faciais e tudo o que está inerente à comunicação (que é mais, muito mais do que as palavras que se trocam) foi completamente indescritivel...
a horta já tem direito a etiqueta e tudo
futebol mas só porque estamos em alturas