Hoje fiz uma coisa, ou melhor, comprei uma coisa que viola completamente os meus princípios firmes e valores morais sólidos: comprei uma mochila de princesas à miúda. Ela, que nunca tinha visto coisa tão brilhante nesta casa (e ainda por cima, para ela e só para ela) ficou histérica de alegria. A mochila é uma coisa medonha, brilhante até dizer chega, ou não fosse direccionada para este mercado do Golfo, tão adepto de tudo o que brilha.
A verdade é que não tive alternativa. Ou era com brilhantes das princesas da disney ou era com brilhantes da Hello Kitty, opção 2 vezes mais cara. Já que é para ter brilhantes, ao menos que não se gaste muito dinheiro com isso.
Agora, a questão que me preocupa é o enorme retrocesso que pode ter acontecido hoje nesta casa: abri o precedente. Será que mais alguma vez poderei recusar roupas e acessórios brilhantes sem que seja acusada de incoerência? Não sei. Logo vejo. Hoje a Francisca adormeceu feliz.
Recuo uns anos e penso em mim quando tinha a idade dela (talvez mais velha, que esta malta de hoje é mais precoce). Eu adorava coisas que brilhassem. Aliás, cheguei a sonhar durante uma estação a fio com umas sabrinas douradas que havia na Sapataria Bambi (ou na Alcizete? Não me lembro...). Graças a Deus a minha mãe teve o bom senso de nunca mas comprar. Mas se as tivesse tido, teria ficado com certeza muito mais feliz do que com aqueles sapatos de carneira que insistiam em calçar-me (e que hoje não dispenso para a Francisca).
a horta já tem direito a etiqueta e tudo
futebol mas só porque estamos em alturas