Post mais ou menos em jeito de resolução de ano novo. Estou farta de olhar para trás e achar que o que tinha era melhor que o que tenho hoje em dia. Não quero estar permanentemente insatisfeita. Estou cansada daquele sentimento tipo Variações de que só estou bem onde não estou e só quero ir onde não vou. Sei que isto só depende de mim e por isso quase que me apetece pôr este post no cabeçalho do blog ou no alarme do telemóvel para todos os dias me lembrar disto. Vivo no deserto. É verdade. No meio de gente pouco civilizada cujas noções de democracia ou direitos humanos ficam muito aquém do que se considera razoável. Ok. Os miudos não andam completamente felizes na escola e têm saudades de casa. É normal, passaram só 3 meses e ainda estamos todos a ajustar-nos. A verdade é que em Portugal passava a semana sozinha com eles porque o Francisco estava a mais de 300 km de distância, trabalhava num sítio onde não me sentia realizada e os miudos passavam quase 10 horas por dia na escola. Também não era ideal. Aqui estamos todos juntos, com muito mais tempo uns para os outros. O Francisco viaja imenso, é verdade, mas as semanas que aqui passamos com ele são completas: trabalha das 9 às 5 e temos tempo uns para os outros. Isso deixa-me feliz. O António vai nascer num país onde não percebo muitas das coisas que me dizem, em que a maioria dos médicos provém de países que não têm grande fama pela sua qualidade de ensino, onde provavelmente vai ser uma salganhada dos diabos para o registar como cidadão português e fazer-lhe um passaporte. Mas vou ter uma licença de maternidade até me apetecer. Vou estar com ele a 100% na fase mais importante do seu desenvolvimento. Vou poder matar saudades da minha casa portuguesa e dos amigos e família duas vezes por ano se essa for a vontade de todos. E qualquer dia vou conseguir chamar a este sítio, ou qualquer outro onde estejamos, CASA. Porque a minha casa é onde todos estivermos, juntos e em família.
a horta já tem direito a etiqueta e tudo
futebol mas só porque estamos em alturas