Pois é, amigos, cá estamos. Chegámos ao Bahrain no domingo, depois de uma curta estadia de uma noite em Londres. Esses dias foram uma correria (aliás, ainda estão a ser). Foi praticamente chegar a Londres, arrumar o que ainda tínhamos por lá (a minha querida nespresso teve que ficar, para alegria do senhorio, com certeza) e acordar de madrugada para ir para Heathrow. Depois de uma viagem de 7 horas (até bastante confortável graças aos DVD e filmes que impingimos aos miúdos durante quase o vôo todo) chegamos a este Reino de ilhotas. Quente é eufemismo para descrever este clima. A primeira impressão da paisagem foi um choque. Isto é um estaleiro de obras, com uma neblina de areia constante e um ar tão húmido que parece que estamos permanentemente numa sauna. Felizmente andamos pouco pelas ruas. As casas e zonas públicas são climatizadas o que seria perfeito se a temperatura nesses sítios não fosse de 16ºC. Passamos de um calor extremo (durante o dia devem estar 45º a 48ºC) a um frio de rachar, o que para as senhoras das burqas deve ser um alívio. Não é um sítio bonito, com excepção das ilhas artificiais que existem. Essas têm paisagem de mar, apesar de também haver nessas zonas muita construção.
Na primeira noite ficámos num apartamento muito perto de uma via rápida e colado a uma Mesquita. Dormimos mal por causa do barulho dos carros (o movimento das estradas não pára durante a noite). Além do mais, às 4 da manhã, fomos acordados pelos cânticos da Mesquita, que só pararam quando os senhores tiveram a certeza que já tinham acordado toda a população das redondezas para rezar. De manhã não tínhamos nada para comer porque tínhamos vindo directamente do aeroporto para casa. Como estamos no Ramadão os cafés e restaurantes estão todos fechados. Assim, tivemos que esperar pela boleia do motorista da empresa do Francisco e ir a um supermercado. Mas como não se pode comer em público, tivemos que esperar pelo regresso a casa para poder comer. Com isto tudo, estivemos em jejum (forçado) quase até à uma da tarde. Foi esta a minha primeira (e espero que última) experiência de jejum do Ramadão. Agora andamos a ver apartamentos para alugar, porque estamos provisoriamente instalados numa espécie de aparthotel. Ontem fomos a um centro comercial (enorme!) e percebemos que nesta altura de jejum, os muçulmanos vivem de noite. O centro comercial estava cheíssimo. Fomos lá comprar cadeiras para o carro. É engraçado - em Portugal farto-me de dizer que aquelas cadeiras roubam imenso espaço, que não cabem três pessoas no banco de trás por causa delas, e que em suma, o mundo seria um sítio muito melhor sem cadeirinhas auto, eu nunca tive nada disso e não morri, etc, etc. Aqui elas não são obrigatórias e eu não descansei enquanto não as comprei. Vá-se lá perceber esta minha cabeça! Aqui confirma-se também o que eu já tinha percebido em Londres. As mulheres árabes, apesar de andarem cobertas da cabeça aos pés, só usam roupas, sapatos e acessórios de luxo. Aliás, aqui a palavra Luxo está em todos os lados. Tudo brilha e reluz. É uma cultura muito diferente da nossa. Os miúdos ainda estão um bocadinho admirados com este sítio novo, com as pessoas, as suas roupas, os costumes. Aliás, até nós. Mas vamo-nos habituando. Até eu, que sou uma esquisita com a comida, ontem já me rendi às delícias da comida turca. E só me arrependo de não ter perdido o preconceito mais cedo :-)
a horta já tem direito a etiqueta e tudo
futebol mas só porque estamos em alturas